Começou a retirada

12/01/2011 16:18

Começou a retirada dos resíduos tóxicos da Resicor

Começou a remoção dos resíduos da Resicor

 A empresa curitibana Ambiental iniciou na manhã de ontem a tão esperada remoção dos tambores do depósito da Resicor de Jacarezinho. Uma carreta carregada com as primeiras 27 toneladas dos resíduos (aproximadamente 160 tambores) saiu da cidade no final da tarde em direção ao depósito da empresa localizado em Balsa Nova, cidade metropolitana de Curitiba. Esta é apenas a primeira de cerca de 80 carretas que serão retiradas do local em um prazo de cinco meses.
A remoção dos tambores foi acompanhada de perto pelos representantes das empresas co-responsáveis no processo, integrantes do Instituto Ambiental do Paraná, servidores municipais e a prefeita Tina Toneti, que parabenizou a equipe da Prefeitura pelo incansável esforço na articulação dos trâmites judiciários e negociação para que eles fossem concluídos, ressaltando o papel da equipe da diretoria do Meio Ambiente, o titular Leonardo Costa Santos, Fernando Toneti e Annieli Maieski. "Foi graças ao nosso pessoal que este caso foi reaberto, na reunião do G-22, que detectou o abandono dos resíduos no local e iniciou a negociação para a retirada", disse Tina.
A partir disso, em meados de maio do ano passado, o secretário de Estado na época convocou uma reunião em que compareceu o chefe regional do IAP, o diretor municipal de Meio Ambiente, Leonardo Costa Santos e representantes das empresas co-responsáveis. Aquela reunião foi coordenada por Laerty Dudas, responsável pelos resíduos sólidos da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e também considerado peça-chave em todo o processo.
O G-22 + 1 (23 municípios pólo do Estado) foi agente também na implantação no Estado do sistema de logística reversa, que obriga as empresas a arcarem com a responsabilidade de recolher os produtos que fabricam. "Hoje não há mais pneus abandonados em nossa cidade por esta medida. As empresas vêem aqui buscar seus resíduos", completou a prefeita Tina Toneti.
O Instituto Ambiental do Paraná, outro dos principais agentes na realização do intento, estava representado pela advogada Iraci Consolin Baggio, pela auxiliar administrativa Rosa Maria Baccon e pelo técnico José Mouta Júnior. Rosa ressaltou os esforços de sua equipe, que buscou condições e caminhos a qualquer custo para que essa remoção fosse possível, agradecendo a parceria com os demais órgãos agora que o processo está sendo efetivado.

 Trabalho é árduo e agora restam 79 carretas
A gerente de negócios da empresa Ambiental, Daniela Cabral informa que serão retiradas de três a quatro carretas semanalmente, dependendo das condições climáticas. "Investiremos todos os esforços para que o lixo tóxico seja carregado o mais rápido possível", diz. Lá em Balsa Nova, o material será "reciclado" e transformado em energia, como ingrediente de fonte de ignição, substituindo o carvão (vegetal ou natural) na geração da energia do fogo. A prefeita Tina Toneti exaltou mais este processo, que diminuirá o dano ambiental para o Planeta, já que menos matéria prima precisará ser retirada da Natureza.
Daniela Cabral explica ainda que a remoção é um processo muito delicado, já que em alguns pontos do depósito, há também risco de desabamento do prédio. "A média ficará, se tudo correr bem, em 900 tambores por semana removidos", finaliza.
Contratado para ser o encarregado de comandar a equipe que fará a retirada, Elias Custódio, 58, trabalha com mais quatro ajudantes, um ajudante de empilhadeira e um vigilante. Como estão misturados tambores com resíduos líquidos e sólidos, a maior preocupação da empresa é diferenciá-los antes, para que não haja riscos de vazamento. "Com relação à parte líquida, o transporte será feito em alto vácuo através de tanques de sucção (bomba acoplada ao caminhão) e a possibilidade de vazamento é quase zero", diz.
Entre os representantes das empresas presentes, o discurso geral era de satisfação com mais uma vitória em prol do meio ambiente.  Todos concordaram que, mesmo não sendo diretamente "culpados" pela irregularidade (já que estas empresas pagavam à Resicor pela reciclagem), é um dever delas colaborar com a despoluição deste local em Jacarezinho.

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Entenda o caso
A fábrica da Resicor foi desativada em 2005 e deixou a herança para Jacarezinho de, no mínimo, 11 mil tambores contendo resíduos químicos (borra, tinta e solventes) abandonados em seu depósito, no Jardim América, ao lado de onde hoje se encontra o frigorífico.
O número ainda não é exato porque existe outro local que abriga mais aproximadamente quatro mil tambores, na antiga fábrica propriamente dita da empresa, próxima à Casa Nova Materiais de Construção.
Dois anos antes da desativação da empresa, o processo já corria na Justiça. Pelo menos 10 empresas forneciam seu material e pagavam para que a Resicor o reciclasse. Depois de diversos trâmites judiciais, todas as empresas consideradas co-responsáveis (logística reversa) aceitaram em custear esta remoção. A única exceção foi a Companhia de Gás de São Paulo, autuada e multada pelo IAP por não aceitar o termo de ajuste. A multa, ainda não aplicada e tramitando na Justiça, varia de R$500 a R$2 milhões.

-- 25/5/2010 - Depois do G-22 identificar a demanda e a diretoria municipal de Meio Ambiente realizar a articulação, secretário de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos convoca reunião com a chefia regional do IAP, com representantes de empresas fornecedoras de produtos para a Resicor, Ministério Público Estadual e o titular da pasta em Jacarezinho, Leonardo Santos Costa.

-- Maio e Junho - Administração municipal, IAP e Ministério Público Estadual permanecem negociando a remoção do lixo tóxico guardado irregularmente no depósito da Resicor.

-- 1/7/2010 - Na primeira reunião realizada no Fórum de Jacarezinho, convocada pelo Promotor de Justiça Paulo José Gallottti Bonavides, participam advogados e representantes das empresas envolvidas, funcionários da Secretaria de Estado e Meio Ambiente, integrantes do IAP e diretoria do Meio Ambiente da Prefeitura Municipal de Jacarezinho. Foram sanadas dúvidas e acertados os termos e o Ministério Público fixou prazo de 20 dias para que as empresas apresentassem defesa ou iniciassem imediatamente a remoção do lixo tóxico armazenado. O cálculo na época, não oficial, era que o valor envolvido no transporte destes tambores chegasse a R$1 milhão.

-- 1/8/2010 - Fogo no mato nas imediações do depósito provoca incêndio e três tambores com resíduos explodem. Bombeiros demoram quatro horas para conter o fogo.

-- 27/12/2010 - O juiz substituto Christian Palharini Martins decide pela autorização da entrada no prédio e retirada, considerando a armazenagem irregular, podendo "gerar prejuízos irreversíveis ao meio ambiente" e nomeia como perito do Juízo Mário Henrique Miranda Negrisoli, que prestará informações mensalmente ao magistrado sobre o andamento dos serviços.

-- Primeiros dias de janeiro - O presidente o presidente do IAP, Luiz Tarcísio Mossato, assina a autorização da retirada, preocupando-se com a maior celeridade possível no processo e considerando o risco de explosão e dano ao meio ambiente em caso de eventual vazamento.

-- 11/1/2011 - A primeira das 80 carretas remove 160 tambores com resíduos, carregando 27 toneladas para Balsa Nova, perto de Curitiba.

texto:RômuloMadureira/fotos:AlfredoJorge - D.Com.